
“Antissocial? Não, meu bem. Apenas reservada. E com isso quero dizer que não vai valer a pena conversar comigo se estiver procurando mais uma garota qualquer por aí, dessas que passam a noite esperando uma ligação, ou que escrevem como o sorriso do fulano é belo no diário. Sei que vai se surpreender ao me ouvir falar de política, xingar os galãs das novelas, e fazer tudo do modo avesso. Entenda, não sou dessas que acordam pensando no que vai vestir, ou em qual sapato o pé irá ficar mais bonito. Sou uma dessas poucas mulheres que não se entregam na primeira noite, e no outro dia choram desiludidas porque foram abandonadas por um canalha. Não pense que estou querendo me gabar, e nem vá achando que sou uma dessas mimadas que só sabem dar gritinhos de horror quando vêem um mísero inseto. Sou cotidiana. Digo, sou como qualquer pessoa comum, que pertence apenas a si, antes de pertencer a alguém. E que fique claro que o amor não é meu ponto forte, nem uma das qualidades que você deva admirar em mim. Talvez um dia eu mude meus conceitos, mas por hora, sou singular. É, sou singular. E nem tão cedo quero me tornar plural. Digo, não caio nessa de “nós”. Nem muito menos gosto de ficar relendo os mesmos romances pra ver se tiro deles algo que me inspire a viver tal história. Sim, já passei por muitas coisas. Perdi amores, sofri o desprezo. Entes que partiram, amigos que se foram, ou até mesmo uns o outros que pegaram uma parte de mim e levaram consigo pro quinto dos infernos. Mas superei. Se tem uma coisa que eu nunca vou esquecer, é que nunca devemos perder o fio da meada. Não é por nada não, mas eu acredito que me encaixo num desses grupinhos de escritores falidos, cheios de teorias e falhas, e que na prática, não passam de frases mal ditas, conceitos que ninguém nunca tentou enxergar. Perdoe-me por tentar descrever-me e acabar confundindo todas as opiniões sobre mim, caro leitor. Mas, quando se trata de mim, você vai aprender que sou como um redemoinho de confusões, quanto mais se sabe, menos se entende. Pois é, esta sou eu. Essa metamorfose de idéias que se confundem todas às vezes que precisam ser colocadas nos eixos. Mas quer saber? É isso que eu sou. E sinceramente, não me trocaria por nada nem ninguém nesse mundo.”
Pirulitos se tornam cigarros. Inocentes viram vadias. Dever de casa vai pro lixo. Celulares conectados no twitter durante a aula. Detenção se transforma em suspensão. Refrigerante se torna vodka. Bicicletas viram carros. Beijos viram sexo. Vocês se lembram de quando usar proteção era botar um capacete? De quando a pior coisa que você poderia levar de garotos eram cosquinhas? De quando os ombros do pai eram o lugar mais alto e inatingível e mamãe era nossa heroína? Aliás, lembram-se de quando heroína era o feminino de herói? De quando seu pior inimigo era seu irmão? De quando war era só um jogo de cartas? De quando a única droga que você conhecia era remédio pra tosse? De quando remédio pra tosse era realmente usado pra curar tosse? De quando usar uma saia não te transformava numa vadia? A maior dor que você sentia era quando ralava os joelhos e os “adeus” duravam até só o amanhecer de outro dia. E nós não podiamos esperar por crescer?

- Willian Shakespeare.

É tanta hipocrisia, é tanta gente vazia, é tanto assunto inútil que eu ando com preguiça de conhecer pessoas.

O problema é que os seres humanos têm o dom de escolher exatamente aquilo que é pior para eles. - Harry Potter
